O certificado energético é obrigatório em Portugal em qualquer venda ou arrendamento de imóvel. Mas, mais do que um simples requisito legal, é um indicador direto de valor, conforto e eficiência e pode fazer toda a diferença na perceção de um imóvel no mercado.
O que é o certificado energético
É um documento oficial emitido por peritos qualificados e reconhecidos pela ADENE, que avalia o desempenho energético de um imóvel. A classificação vai de A+ (muito eficiente) a F (pouco eficiente) e reflete o consumo de energia necessário para aquecimento, arrefecimento e produção de água quente.
Além da letra, o certificado inclui:
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Consumo estimado de energia e emissões de CO₂;
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Recomendações para melhorar a eficiência;
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Custos e benefícios estimados dessas melhorias.
O certificado tem validade de 10 anos e deve ser apresentado sempre que o imóvel é colocado no mercado.
Como se obtém
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Escolher um perito certificado – a lista está disponível no site da ADENE.
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Agendar a visita técnica – o perito recolhe dados sobre construção, janelas, isolamento e sistemas energéticos.
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Receber o certificado digital, após registo e validação.
💰 Custo médio: entre 135 € e 250 €, dependendo do tipo e dimensão do imóvel.
Porque é importante e como influencia o valor do imóvel
Um certificado energético favorável pode valorizar um imóvel em até 10 a 20%, segundo estudos europeus.
E é fácil perceber porquê:
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Maior atratividade comercial: compradores e arrendatários preferem imóveis eficientes, com menores contas de energia.
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Valorização bancária: nas avaliações, a classe energética pesa cada vez mais no cálculo do valor de mercado.
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Crédito verde: alguns bancos oferecem spreads mais baixos para imóveis de classe A ou superior.
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Sustentabilidade e reputação: eficiência energética é hoje sinónimo de qualidade e responsabilidade ambiental.
Já os imóveis com classificações baixas (E ou F) tendem a perder valor e enfrentam maior resistência, sobretudo junto de compradores estrangeiros ou investidores institucionais.
Medidas simples que podem melhorar a classificação
Nem sempre é preciso grandes obras para subir uma classe energética. Pequenas intervenções podem ter impacto direto no conforto e no valor de mercado, pode-se, por exemplo:
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Substituir janelas simples por caixilharia com corte térmico e vidro duplo;
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Reforçar isolamentos em paredes, tetos e coberturas;
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Instalar painéis solares térmicos para aquecimento de águas;
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Trocar equipamentos antigos por bombas de calor ou sistemas A+;
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Apostar em iluminação LED e sistemas de domótica para gestão eficiente de consumos.
O certificado energético é, no fundo, um retrato técnico da eficiência e qualidade construtiva de um imóvel. Cumpre a lei, transmite transparência e, acima de tudo, acrescenta valor, não apenas ao imóvel, mas também à confiança de quem o compra.