PT EN

Certificado Energético 101

O certificado energético é obrigatório em Portugal em qualquer venda ou arrendamento de imóvel. Mas, mais do que um simples requisito legal, é um indicador direto de valor, conforto e eficiência  e pode fazer toda a diferença na perceção de um imóvel no mercado.

O que é o certificado energético

É um documento oficial emitido por peritos qualificados e reconhecidos pela ADENE, que avalia o desempenho energético de um imóvel. A classificação vai de A+ (muito eficiente) a F (pouco eficiente) e reflete o consumo de energia necessário para aquecimento, arrefecimento e produção de água quente.

Além da letra, o certificado inclui:

  • Consumo estimado de energia e emissões de CO₂;

  • Recomendações para melhorar a eficiência;

  • Custos e benefícios estimados dessas melhorias.

O certificado tem validade de 10 anos e deve ser apresentado sempre que o imóvel é colocado no mercado.

Como se obtém

  1. Escolher um perito certificado – a lista está disponível no site da ADENE.

  2. Agendar a visita técnica – o perito recolhe dados sobre construção, janelas, isolamento e sistemas energéticos.

  3. Receber o certificado digital, após registo e validação.

💰 Custo médio: entre 135 € e 250 €, dependendo do tipo e dimensão do imóvel.

Porque é importante e como influencia o valor do imóvel

Um certificado energético favorável pode valorizar um imóvel em até 10 a 20%, segundo estudos europeus.
E é fácil perceber porquê:

  • Maior atratividade comercial: compradores e arrendatários preferem imóveis eficientes, com menores contas de energia.

  • Valorização bancária: nas avaliações, a classe energética pesa cada vez mais no cálculo do valor de mercado.

  • Crédito verde: alguns bancos oferecem spreads mais baixos para imóveis de classe A ou superior.

  • Sustentabilidade e reputação: eficiência energética é hoje sinónimo de qualidade e responsabilidade ambiental.

Já os imóveis com classificações baixas (E ou F) tendem a perder valor e enfrentam maior resistência, sobretudo junto de compradores estrangeiros ou investidores institucionais.

Medidas simples que podem melhorar a classificação

Nem sempre é preciso grandes obras para subir uma classe energética. Pequenas intervenções podem ter impacto direto no conforto e no valor de mercado, pode-se, por exemplo:

  • Substituir janelas simples por caixilharia com corte térmico e vidro duplo;

  • Reforçar isolamentos em paredes, tetos e coberturas;

  • Instalar painéis solares térmicos para aquecimento de águas;

  • Trocar equipamentos antigos por bombas de calor ou sistemas A+;

  • Apostar em iluminação LED e sistemas de domótica para gestão eficiente de consumos.

O certificado energético é, no fundo, um retrato técnico da eficiência e qualidade construtiva de um imóvel. Cumpre a lei, transmite transparência e, acima de tudo, acrescenta valor, não apenas ao imóvel, mas também à confiança de quem o compra.