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Euribor: o que significa para quem quer comprar casa

‘Euribor’ é uma palavra muito discutida, mas nem sempre é totalmente compreendida. A verdade é que pequenas subidas ou descidas nesta taxa podem traduzir-se em diferenças significativas na prestação mensal de um crédito à habitação. Este artigo explica, de forma simples e prática, o que é a Euribor, como tem evoluído e de que forma afeta diretamente quem compra casa em Portugal e noutros países da zona euro.

O que é a Euribor

A Euribor significa Euro Interbank Offered Rate e representa a taxa média a que um conjunto de bancos europeus empresta dinheiro entre si. É um valor calculado diariamente com base nas taxas comunicadas por um painel de bancos de referência da zona euro, entre os quais está a Caixa Geral de Depósitos.

Não existe apenas uma Euribor. Existem cinco, com diferentes prazos: uma semana, um mês, três meses, seis meses e doze meses. Nos créditos à habitação em Portugal, as mais usadas são a Euribor a 6 meses e a 12 meses. Estes prazos determinam de quanto em quanto tempo a prestação será revista.

O cálculo é feito todos os dias úteis e segue um método simples. Excluem-se 15 por cento das taxas mais altas e 15 por cento das mais baixas e calcula-se a média das restantes. O valor final é arredondado a três casas decimais.

Como é influenciada pelo Banco Central Europeu

Embora o BCE não defina diretamente a Euribor, as suas decisões têm impacto imediato nas condições de financiamento entre bancos. Quando o BCE reduz as taxas diretoras, o custo do dinheiro desce e a Euribor tende a acompanhar. Quando o BCE sobe as taxas para controlar a inflação, a Euribor sobe também.

Foi isso que aconteceu nos últimos anos. Depois de um longo período em que esteve negativa, a Euribor subiu de forma rápida entre 2022 e 2023, refletindo o aumento das taxas de juro do BCE para combater a inflação. A partir de 2024 iniciou-se um período de descida gradual, acompanhando a estabilização dos preços e o alívio das políticas monetárias. Esta trajetória foi sentida em toda a zona euro.

A ligação entre Euribor e crédito habitação

A taxa de juro de um crédito habitação resulta da soma entre Euribor e spread. O spread é fixo e definido pelo banco no momento da contratação. A Euribor varia. É esta componente variável que faz subir ou descer a prestação ao longo do tempo.

Se tem um crédito com taxa variável, a revisão acontece de acordo com o prazo escolhido. Por exemplo, quem tem Euribor a 6 meses vê a taxa revista duas vezes por ano. Quem tem Euribor a 12 meses vê a revisão apenas uma vez por ano.

Nos créditos com taxa fixa, as oscilações da Euribor não afetam a prestação durante o período contratado.

O que acontece quando a Euribor sobe

Quando a Euribor sobe a taxa de juro total aumenta, o que se traduz numa prestação mais elevada. Para muitas famílias esta subida tem um impacto direto na taxa de esforço e pode limitar a aprovação de crédito, reduzir o montante financiado ou alterar a forma como gerem o orçamento mensal.

Subidas prolongadas da Euribor podem levar compradores a ter que renegociar o crédito, alterar o prazo, procurar um spread mais baixo ou ponderar a passagem para taxa fixa.

O que acontece quando a Euribor desce

Quando a Euribor desce, a prestação reduz-se nos contratos de taxa variável. Esta diminuição pode aliviar o orçamento mensal, aumentar a margem de endividamento e facilitar o acesso a crédito para novos compradores.

Uma Euribor mais baixa tende também a dinamizar o mercado imobiliário, especialmente em países como Portugal, Espanha e Itália, onde a maioria dos créditos à habitação são indexados a taxas variáveis. Em países como França ou Alemanha, onde predominam taxas fixas longas, o impacto é menos imediato.

Como acompanhar as taxas Euribor

Para acompanhar diariamente as taxas Euribor a vários prazos, pode consultar este link.

Estar a par destes dados é útil para perceber tendências e antecipar possíveis alterações na prestação.

No seu todo

A Euribor é uma peça central no crédito à habitação. Entender o que é, como funciona e porque oscila permite tomar decisões mais seguras, negociar melhor com o banco e evitar surpresas no futuro.